Porque existe a Parentalidade Sem Filtros
O Parentalidade sem Filtros é uma área do meu trabalho dedicada a quem cuida, educa e, tantas vezes, tenta simplesmente perceber se está a fazer o melhor que consegue.
Este projeto nasceu de um interesse que começou por ser muito pessoal: quando fui mãe.
A maternidade levou-me a estudar e a pesquisar cada vez mais sobre desenvolvimento infantil, comportamento, emoções e parentalidade. Ao mesmo tempo, na minha prática enquanto psicóloga, acompanhava muitas crianças e adolescentes, incluindo crianças com PHDA, perturbações do comportamento, dificuldades de regulação emocional e características do espectro do autismo.
E comecei a perceber algo que se tornou cada vez mais evidente ao longo dos anos: quando acompanhamos uma criança, não podemos olhar apenas para a criança.
Por detrás de muitos dos desafios que chegavam à consulta estavam também mães e pais cansados, preocupados, cheios de dúvidas e, muitas vezes, pressionados pela ideia de que deveriam saber sempre o que fazer.
Pais que precisavam de compreender melhor o comportamento dos filhos, mas que também precisavam de apoio para lidar com as suas próprias emoções, com a culpa, com o cansaço, com os conflitos e com a enorme exigência que hoje acompanha a parentalidade.
Porque educar uma criança hoje não é igual a educar há 20 ou 30 anos.
Mudaram as famílias, mudaram as rotinas, mudou a escola, mudou a relação com a tecnologia e mudou aquilo que sabemos sobre o desenvolvimento infantil. Temos muito mais conhecimento sobre o cérebro, as emoções, a vinculação e o comportamento, mas, paradoxalmente, temos também uma quantidade enorme de informação, opiniões e expectativas sobre aquilo que significa ser uma “boa mãe” ou um “bom pai”.
Foi deste encontro entre a psicóloga, a mãe e a vontade de tornar a ciência realmente útil no dia a dia das famílias que nasceu o Parentalidade sem Filtros.
Um espaço onde procuro falar de parentalidade sem receitas perfeitas e sem julgamentos. Com base na Psicologia, nas Neurociências e na evidência científica, mas numa linguagem simples, próxima e aplicável à vida real.
Porque compreender o comportamento de uma criança é importante.
Mas cuidar de quem cuida também faz parte da parentalidade.
“Como se uma criança fosse a prova final da competência de quem a criou.”
Quem sou
Sou psicóloga há mais de vinte anos. E aquilo que me permitiu ir mais longe foi perceber o quanto falhava enquanto mãe.
Tinha toda a teoria. Tinha o conceito claro de que mãe queria ser. E depois a vida real intrometeu-se no caminho e fez-me vergar.
Fez-me ver a fragilidade do ser humano. Fez-me ver o quão imperfeita sou e o quanto afectava as minhas filhas quando me enervava e ralhava nos momentos mais difíceis.
Percebi que é errado educar com berros. E percebi também que é praticamente impossível eles não acontecerem.
O que mudou não foi tornar-me perfeita. Foi perceber que não podia contar com a perfeição, mas sim com a regulação e com o reparo. Retirar a exigência de cima de mim, especialmente porque tinha toda a teoria, fez-me ficar mais leve. Com menos culpa. E isso veio melhorar a forma como sou mãe.
Quando é preciso ralho, chateio-me e às vezes ainda berro. Agora muito menos vezes. Mas há sempre uma forma de reparo, de pedir desculpa, de mostrar que sou humanamente imperfeita e previsivelmente humana.
Não só para as minhas filhas. Para todas as pessoas de quem gosto.
Joana Frazão
Copyright © 2026. Parentalidade Sem Filtros, por Joana Frazão. Todos os direitos reservados.
Usamos cookies para melhorar a tua experiência no site. Podes aceitar, recusar ou definir as tuas preferências.